segunda-feira, 22 de junho de 2009

AQUELE NÃO ERA UM SÁBADO COMUM



Lamentos, lamúrias não podem dar o recheio destas palavras. Muito menos, provocações desarrazoadas a quem quer que seja. Antes pelo contrário. Talvez, queira eu catalisar o sentimento de tantos e quantos viveram um dia surreal. Um sábado atípico. Mas, aos vencedores os louros da vitória. Aos perdedores... “Aos perdedores”!? Que perdedores, indagamos todos.
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Sábado foi um daqueles dias em que os deuses do futebol perdem o controle de suas ações, ou, simplesmente, adormecem no momento crucial, deixando os “sobrenaturais” aparecerem. Este último sábado não foi um sábado normal.
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A tela da pintura estava no cavalete para ser traçada, num atelier misto, cujas instalações podem ter sido utilizadas pela última vez. Artistas alvinegros começaram a rabiscar, de maneira firme, a obra que imortalizaria-se em um possível último ato. Parte da platéia, emoldurando o tracejado, vibrava loucamente com o desenvolver da obra, colorindo o ambiente com o preto, a cor hegemônica que reúne todas as cores, e com o branco, símbolo da ternura e da paz. Outra parte, atônita com a obra que se desenrolava à sua frente, silenciava preocupada. Mas, aquele não era um sábado comum.
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Comandando a feitura da obra, observando a tela, de maneira sempre ativa e altiva, apesar do seu pequeno tamanho, o mestre Arthur, a orientar seus artistas, injetando a confiança que somente os que são enormes no conhecimento podem fazê-lo.
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Até quando a tinta teimou em borrar a tela, com um Ivan batendo no pincel de maneira absolutamente passional, como só os amantes são capazes de assim proceder, o grupo de artesãos, superando a tudo e a todos, voltou a desenvolver o desenho em sua melhor concepção.
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Mas, não era um sábado qualquer.
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Uns, artistas mais racionais, como Erandis, davam a tonalidade da sobriedade e da classe. Outros, como Leonardos, Gaúchos, Fabianos, inebriados da valentia dos guerreiros, davam a cor da austeridade e da raça, fazendo respingar suor nos pinceis. E, do menor dos artistas, com uma essência oriunda desta terra de Poti, um pequeno João Paulo pôs os contornos definidores das grandes obras, com a magia, a técnica e a gana que só os grandes artistas possuem. Mas, aquele era um sábado diferente, amuado.
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E como aquele, realmente, não era um sábado normal, um intruso, que assistiu assombrado a toda construção da obra, num único momento de desatenção dos artistas, interpôs-se entre eles e assinou a obra que não era sua, deixando em todos da platéia a sensação de que a segurança do atelier havia negligenciado, e os deuses, cochilando, vindo a abandonar os que, de fato, mereciam o prêmio final.
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Mas, como nos concertos inesquecíveis, ao final, a platéia aplaudiu de pé os verdadeiros artistas do espetáculo, premiando-os com o reconhecimento e a certeza de que a exposição completa ainda está por vir, e será de alto nível.
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Natal/RN, 21 de junho de 2009.
Augusto Flávio de Araújo Azevedo (Conselheiro ABC F.C.)

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